Campinas -  

A cultura é patrimônio da humanidade, não pertence a nenhum país, pertence a todos nós.



A inclusão social e a popularização da cultura

              A inclusão social é um dos grandes desafios de nosso país que, por razões históricas, acumulou enorme conjunto de desigualdades sociais no tocante à distribuição da riqueza, da terra, do acesso aos bens materiais e culturais e da apropriação dos conhecimentos científicos e tecnológicos. Entende-se por inclusão social, a ação de proporcionar para populações que são, social e economicamente excluídas – no sentido de terem acesso muito reduzido aos bens (materiais, educacionais, culturais etc.) e terem recursos econômicos muito abaixo da média dos outros cidadãos – oportunidades e condições de serem incorporadas à parcela da sociedade que pode usufruir esses bens. Em um sentido mais amplo, a inclusão social envolve também o estabelecimento de condições para que todos os habitantes do país possam viver com adequada qualidade de vida e como cidadãos plenos, dotados de conhecimentos, meios e mecanismos de participação política que os capacitem a agir de forma fundamentada e consciente. Um dos aspectos da inclusão social é possibilitar que cada brasileiro tenha a oportunidade de adquirir conhecimento básico sobre a ciência e seu funcionamento que lhe dê condições de entender o seu entorno, de ampliar suas oportunidades no mercado de trabalho e de atuar politicamente com conhecimento de causa.

              No mundo contemporâneo, para a educação de qualquer cidadão é fundamental que ele possua noção, no que diz respeito à cultura, ciência e tecnologia. Falar de inclusão social no domínio da difusão ampla dos conhecimentos científicos, tecnológicos e culturais compreende, portanto, atingir não só as populações pobres, as dezenas de milhões de brasileiros em tal situação, mas também outras parcelas da população que se encontram excluídas no que se refere a um conhecimento cultural, científico e tecnológico básico.

              Consideradas as características do mundo moderno, a educação informal, aqui também no sentido da popularização da cultura tem adquirido importância crescente. Ela se processa por meio de instrumentos variados como os meios de comunicação, os centros e museus de ciência, os programas de extensão universitários, os eventos de divulgação, a educação à distância e atividades culturais, através de centros preparados para tais ações. Contudo, o Brasil não dispõe ainda de uma política pública ampla destinada à popularização da cultura. Ao longo dos anos, surgiram alguns programas ou iniciativas tópicas, mas há a necessidade urgente de se estabelecerem políticas gerais e de se formular e executar um programa municipal, estadual e nacionalmente articulado nesta direção.

              Como a inclusão social é uma das prioridades políticas do governo, a popularização da cultura passa a ser também uma linha de ação importante. A inclusão torna-se viável somente quando, através da participação em ações coletivas, os excluídos são capazes de recuperar sua dignidade e conseguem - além de emprego e renda - acesso à moradia decente, facilidades culturais e serviços sociais, como educação e saúde.

              Nós sabemos que hoje os instrumentos de conhecimento, cultura, ciência e tecnologia são essenciais para resolver qualquer um dos grandes problemas sociais e econômicos enfrentados pelos diferentes países. Evidentemente que a cultura permeia as atividades, como a educação, a informação e a capacidade de transmissão do conhecimento para uso da população. Queremos facilitar o acesso às novas tecnologias, à cultura,  para as pessoas que estão menos habilitadas a usá-las e, principalmente, facilitar o acesso dessas tecnologias para pequenos grupos. A cultura prepara melhor o cidadão e, ao fazer isso, está colaborando, evidentemente, para preparar o indivíduo para ele ter melhores condições de vida, em qualquer circunstância. Tudo que se faz hoje para promover o conhecimento tem reflexos imediatos na possibilidade de melhorar as condições de vida. É um instrumento do cidadão. Um homem, para uso pleno da cidadania, precisa de tecnologias elementares, a inclusão digital, por exemplo. A primeira coisa é a transferência do conhecimento em si. Você precisa dar a todos o mínimo de conhecimento, porque isso possibilita um melhor entendimento do mundo em que o indivíduo vive. Dar a possibilidade de o indivíduo fazer escolhas, porque muitas vezes o indivíduo não muda de vida por não ter conhecimento, ele ignora as coisas. Então, à medida que você dispõe de conhecimento, possibilita que ele tenha acesso a novas visões, novas coisas, novos ambientes. Hoje a Internet é uma coisa fantástica como fator de educação, fator de transmissão de informação, de atualização do cidadão, de acesso à cultura. Então, em qualquer lugar, ligado à rede, ele está incluído pelo menos no conhecimento. Evidentemente, a inclusão social ainda precisa de mais coisas, mas pelo menos ele está com informações, que é o fundamental.

              A inclusão social é vista sobre vários ângulos. Há um campo enorme. Se nós atuarmos direta ou indiretamente, melhorando a educação, dando melhores condições para todos melhorarem a sua condição de vida, estamos promovendo inclusão social. Às vezes
é preciso haver novos conhecimentos ou pelo menos pessoal capacitado para usar o conhecimento, sempre com aplicação do conhecimento para alavancar o desenvolvimento, é um fator fundamental para o desenvolvimento do país, para a inclusão social e a diminuição das desigualdades.


Magda Vilas-Boas
Consultora Pedagógica e Social da NHL

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